Curso de Harmonia – segundo semestre/2013

Oi pessoal,

o curso de harmonia no primeiro semestre foi excelente!! Pudemos formar duas turmas que estudaram bastante.

Para o segundo semestre formaremos novas turmas, com previsão de início para o dia 05 de agosto.

Abaixo segue o cartaz e os conteúdos do curso.

Imagem

 

 

Programa do curso:

 

Antes de começar

 

  1. Introdução
  2. Como estudar?
  3. Guia para leitura de partitura

 

 

Parte 1 – Fundamentos

  1. Sistema temperado e os semitons
  2. Escala Maior e Escalas Menores
  3. Intervalos
  4. Tríades
  5. Tétrades
  6. Cifras
  7. Inversões
  8. Extensões, adições e estruturas superiores
  9. Aberturas (Voicings)
  10. Notas Guia (Guide Tones)
  11. Encadeamento harmônico

 

 

Parte 2 – Funções

  1. Campo Harmônico da escala Maior
  2. Funções Harmônicas e seus substitutos
  3. Dominante, trítono e resolução do trítono
  4. Dominantes secundários
  5. Segundo Cadencial
  6. Cadências
  7. SubV7 (Substituição por trítono)
  8. Acordes Simétricos: Diminutos e Aumentados
  9. Acordes com dois trítonos
  10. Diminutos sem função dominante
  11. Acorde V7sus4
  12. Campo Harmônico do Modo Menor
  13. Acorde m6
  14. IVm e seus substitutos
  15. Acordes de Empréstimo Modal (AEM)
  16. SubII
  17. Modulações
  18. Revisão – Análise Harmônica
  19. Revisão – Reharmonização

 

 

Parte 3 – Outras Possibilidades

  1. Modos da Escala Maior
  2. Relação Escala x Acorde
  3. Harmonia Modal
  4. Análise Melódica
  5. Harmonização em Bloco (Chord Melody)
  6. Reharmonização II

 

 

Afinal, de quem é a culpa?

Recentemente, o pianista André Mehmari (www.andremehmari.com.br) postou em seu perfil no facebook um comentário sobre uma situação desagradável vivida aqui em Campinas. Mehmari foi hostilizado por alunos de escolas de estaduais enquanto se apresentava num projeto social que leva música aos estudantes de ensino fundamental. Um trecho do que ele escreveu:

Ao som de berros e injustificáveis vaias irracionais, ouvi toda sorte de grosseria: sai daí filho da puta! Vai tomar no __! Vai se ____! Fiquei um tanto cabisbaixo, mas segui quasi firme e com muito orgulho falei um pouco dessa Musica. Acompanhado por um super musico amigo, o percussionista e compositor Caito Marcondes, toquei desconcentrado e ainda estupefato uma suite de maxixes Nazarethianos abraçando uma Ária de ópera…

Esse relato ganhou repercussão, especialmente por ter vindo de um músico de reconhecimento internacional. Acredito que, além da indignação e da tristeza ao saber do ocorrido, muitas pessoas tenham tentado entender porque essas crianças não se calaram frente a beleza da música do André, como fazem os que admiram seu trabalho e como eu mesmo fiz muitas vezes. Ele mesmo em seu post inicial aponta possíveis culpados.

Eu posso dizer com certeza, não são os alunos. Tive a infeliz oportunidade de tocar para seus mestres e foi pior, acreditem… Em 2012, me apresentei com o grupo Algaravia (www.algaravia.mus.br) três noites consecutivas para professores da rede pública de Sumaré (cidade vizinha a Campinas) e foram três longos e insuportáveis shows. As professoras, em sua grande maioria, estavam tal qual seus alunos, sem entender porque ali estavam e com uma vontade imensa de ir pra casa. Conversaram, deram risadas altas, nos olharam com estranheza, fizeram tranças umas no cabelo das outras e quase conseguiram fazer com que desistíssemos. Elas foram menos hostis nas palavras, mas muito cruéis em sua indiferença conosco. No final do primeiro show, revoltado, usei a frase que ouvi tantas vezes na escola: “Espero não estar atrapalhando a conversa de vocês”. Hoje isso virou piada entre o grupo, mas no dia era indignação e tristeza.

E a culpa é delas?

Eu reluto em aceitar dessa forma, mas também não tenho uma resposta formada.

Afinal, de quem é a culpa? Dos alunos que não demonstram interesse em quase nada que lhes é apresentado? Dos pais desses que não sabem motiva-los a ouvir algo que os próprios pais nunca ouviram também? Dos professores que não os preparam da maneira correta para que gostem de aprender e de conhecer coisas novas? Dos coordenadores e diretores que não se empenham em auxiliar e amparar os professores em sua dura tarefa? Do estado que não proporciona condições de trabalho decentes para diretores, orientadores e professores? Dos cidadãos – estes mesmos alunos, pais e professores, eu e você – que não fiscalizam o estado de maneira eficaz? Ou de nós músicos que queremos a todo custo levar a todos o que nos é tão valioso??

 

 

Matérias que saíram sobre o caso:

http://www.advivo.com.br/blog/luisnassif/plateia-infantil-hostiliza-musico-andre-mehmari

http://correio.rac.com.br/_conteudo/2013/05/ig_paulista/64825-pianista-e-hostilizado-por-alunos-em-campinas.html

Curso de Harmonia Popular

Oi pessoal,

estou retomando o blog para divulgar o curso de Harmonia na Música Popular que darei no meu estúdio a partir de março. Abaixo segue o cartaz e mais informações sobre o curso. Interessados entre em contato, as turmas vão começar dentro de dua semanas no máximo.Imagem

Curso de Harmonia na Música Popular  – Rafael Thomaz

Resumo:

O curso de pretende apresentar diferentes aspectos e abordagens da harmonia com ênfase na música popular e sua aplicação no dia-a-dia do instrumentista. Os conteúdos estão divididos em três blocos, sendo o primeiro um panorama dos aspectos básicos da teoria musical e das ferramentas básicas para o estudo da harmonia; o segundo um apanhado da harmonia funcional na música popular e o terceiro um breve panorama das influências da harmonia pós-tonal na música popular e uma introdução à improvisação.

O objetivo do curso é ser a porta de entrada para o estudo da harmonia. Durante o mesmo os alunos entrarão em contato com os grandes autores que escreveram sobre o tema, além do contato prático através de exemplos auditivos, partituras e exercícios aplicados a seu instrumento.

 

Formato:

- Aulas semanais de 1:30h com turmas de até 6 alunos.

- Total de 16 aulas

- Material próprio em PDF, além de referência a métodos consagrados.

- Plantão de dúvidas via email e/ou skype.

 

Público-alvo:

Estudantes de música de qualquer instrumento com ou sem conhecimento prévio.

 

Formas de Pagamento:

- Por aula: R$ 40

- Por mês (a cada 4 aulas): R$ 140 (R$ 35 por aula – economia de R$ 80)

- Pagamento à vista – curso completo: R$ 480 (R$ 30 por aula – economia de R$ 160)

Conteúdos:

Bloco 1:

  1. Guia para leitura musical / teoria básica
  2. Tom e semitom
  3. Escala Maior e Escalas Menores
  4. Intervalos / Consonância e dissonância
  5. Tríades
  6. Tétrades
  7. Cifragem
  8. Inversões / preferências de abertura
  9. Extensões / adições / estruturas superiores
  10. Voicing (aberturas)
  11. Encadeamento harmônico

 

Bloco 2:

  1. Campo harmônico da escala Maior
  2. Funções harmônicas e substituições
  3. Dominante / Trítono / resolução do trítono
  4. Dominantes secundários e extendidos
  5. Segundo Cadencial / II V I
  6. Candências
  7. SubV7
  8. Diminutos / Acordes com dois trítonos / Acorde aumentado
  9. Modo menor
  10. IVm e substitutos
  11. Intermodalidade / acordes de empréstimo modal
  12. Harmonia de apoio / Comping
  13. Ritmo Harmônico
  14. Re-harmonização

 

Bloco 3:

  1. Harmonia modal / modos litúrgicos / outras escalas
  2. Relação escala x acorde
  3. Modulações constantes / Centro tonal / harmonia por mediantes
  4. Harmonização em bloco / Chord Melody
  5. Re-harmonização II: mudança de função / mudança de modo / Livre associação escala x acorde / outros métodos
  6. Outras possibilidades
  7. Acordes por segundas / quartas / quintas
  8. Harmonia do século XX – breve panorama: politonalismo, atonalismo, dodecafonismo e outros sistemas.

Cronograma:

 

Aula

Conteúdo

1

Abertura / apresentações / objetivos

Itens 1 a 4

2

Itens 5 a 7 e exercícios

3

Itens 8 e 9 e exercícios

4

Itens 10 e 11, exercícios e revisão Bloco 1

5

Itens 12 a 14

6

Itens 15 a 17 e exercícios

7

Itens 18 a 20 e exercícios

8

Itens 21 e 22 e exercícios

9

Itens 23 e 24 e exercícios

10

Item 25 e exercícios

11

Revisão Bloco 2

12

Itens 26 e 27

13

Itens 28 e 29 e exercícios

14

Itens 30 e 31 e exercícios

15

Itens 32 e 33 e exercícios

16

Revisão Final

 

Palavras do Mestre

Tive o privilégio de durante aproximadamente 2 anos ter aulas com um dos maiores professores de violão do mundo: Henrique Pinto. Cheguei para ter aulas com ele depois de vários anos tendo aula com Angela Muner que foi sua aluna também. As aulas com o Henrique eram sempre especiais, por mais que muitas vezes ele ficasse em silêncio ouvindo durante quase toda a aula, suas palavras eram sempre cirúrgicas. Durante sua vida, Henrique trabalhou e produziu muito, tendo em seu livro Iniciação ao Violão seu maior sucesso de público e vendas. Em praticamente todos os cursos e escolas de violão há ao menos uma citação a esse livro e como, no meu caso, tenho contato quase diário com ele, trouxe aqui pro blog a introdução desse livro, chamada de Preliminares, trecho que é muitas vezes deixado de lado, mas é extremamente interessante para conhecer o trabalho deste grande professor.

O problema no ensino do violão consiste principalmente na sistemática. que, até agora, veio colocar como objetivo a formação de “virtuoses” no menor tempo possível.

Este tipo de filosofia, cujo argumento é caduco e sem bases concretas na evolução natural e ascendente do aluno, veio formar mais vítimas deste sistema do que propriamente os “virtuoses” pretendidos.

Tenho comprovado, através da experiência de vários anos no ensino do violão, que estas “vítimas inconscientes” são geradas, principalmente, pela má estruturação em sua base, onde será assentada toda evolução psico-motora do violonista.

Portanto. cada aluno exige toda uma individualização na preparação instrumental.

Devemos associar toda psicologia de ensino, sedimentada principalmente na natureza do indivíduo.

Cada aluno constitui um problema a ser resolvido, conforme suas características físicas, intelectuais e sua disposição natural para o instrumento.

Essa evolução violonística personalizada está diretamente ligada a uma postura, na qual o instrumento venha a se adaptar às condições anatômicas naturais do aluno, e não o contrário, como se costuma pensar.

Tenho por objetivo o parcelamento de cada problema. Desde onde sentar-se, até a postura das mãos, em sua livre movimentação, através das varias fases do ensino.

Sob este aspecto, devemos levar em consideração a evolução mental, condizente com o setor musical, que está diretamente ligada ao trabalho mecânico-instrumental.

Portanto, os dois caminham juntos.

Com cada um destes pólos, o mental e o puramente violonístico, sendo trabalhado de uma forma paralela e inteligente, todos os problemas futuros chegarão a uma resolução natural e ordenada, porque de início teremos a exata proporção da Iógica da adaptação instrumento+físico e conseqüente movimentação livre.

Não é tão importante o exercício melódico em si, como finalidade, mas sim como ele ser8 encarado no plano técnico-instrumental.

Assim sendo, teremos sedimentado a base onde a evolução técnica e a musical terão um paralelismo ascensional.

As fases que abrangem os aspectos desta evolução técnica, isto é, livre movimentação das mãos, estão ligadas a problemas de várias ordens, como: ADAPTAÇÃO NATURAL FISICO-INSTRUMENTAL.

Durante o desenvolver deste método, veremos toda uma explicação, que dará a sensação do violão como uma continuidade de nosso sêr, e não um objeto estranho e incômodo.

Alguns aspectos técnicos devem ser abordados. como generalidades, porém, dentro destas generalidades. existe a adaptação a cada problema físico, digamos, orgânico.

Alguns comportamentos ideais sobre o domínio violonístico vieram quase sempre de um empirismo, que conforme as necessidades musicais do executante, o levaram a resultados que satisfizeram seus objetivos, ou melhor, sua necessidade de exteriorizar sua verdade interior.

Podemos citar, no caso dos violonistas, vários nomes, como Andrés Segóvia, Julian Bream, Irmãos Abreu, John Williams, Barbosa Lima e outros.

Como casos a serem citados com particularidades interpretativas distintas e com resoluções, para cada caso, com técnicas características, temos dois artistas, diferentes na maneira de “dizer” a música, que são Andrés Segóvia e Julian Bream.

Os dois, diante de suas necessidades musicais, moldaram suas técnicas de forma a exteriorizar suas realidades sonoras.

Segóvla, o apaixonado, grandiloquente. senhor absoluto de uma robustez sonora jamais equiparada, faz sua música conforme sua personalidade. O mínimo que podemos falar dele é que é ARREBATADOR.

Julian Bream, o refinado. buscando matizes dentro do espírito do compositor. personalidade culta e com um alto grau da verdade elaborada pelo criador.

Quão marcantes são esses dois conceitos técnicos e musicais diametralmente opostos.

Dentro da realidade de cada um, não poderíamos simplesmente dizer que o toque da mão direita com ou sem apoio irá diferenciá-los ou o formato de seus dedos e unhas caracteriza suas sonoridades e fraseados.

A citação destes dois violonistas é uma ilustração à próxima colocação, no campo técnico-musical, dos prováveis problemas que poderão surgir:

a) Problemas de ordem musical: Existem os problemas de ordem da assimilação musical,

exemplo, a identificação repertorial, depois da primeira fase do contato com o instrumento.

Neste item do repertório, deve-se observar as características que identificam o caráter da obra, com a atual evolução técnica do aluno.

Entende-se como técnica o complexo digital-motor, com as possibilidades de compreensão musical, dentro dessa possibilidade técnica.

Sob o aspecto melódico, temos que admitir as particularidades dentro do contexto técnico, isto é, maior ou menor pressão digital, ângulos de ataque da mão direita, que deverão ser despertados dentro dos objetivos musicais.

b) Problemas de ordem psicológica ou psicossomática:

Estes são originados principalmente pela de psicologia do professor. São os traumas psíquicos, criados desde o início, ou durante certa fase do estudo, por observações maldosas, comparativas ou depreciativas.

c) Inconsciência de uma técnica mal organizada:

Neste aspecto, veremos que paulatinamente o instrumentista vai-se embrutecendo (enrijecimento e a conseqüência de problemas de ordem muscular), até o ponto de seu retrocesso mecânico-instrumental.

Para o violonista, que é o nosso caso, isto será um trauma de grandes proporções, e este retrocesso técnico, em certos casos, o levará a uma anulação total do manuseio do instrumento. Além do prejuízo profissional, quando for o caso, poderá lhe causar grandes danos de ordem moral. Seria como se construíssemos um palácio, e aos poucos, o víssemos desmoronar sobre sua base.

Para finalizar este meu parecer, sobre nomes que vieram a definir a Escola Moderna do Violão, irei mencionar aquele que iniciou toda a estrutura do pensamento contemporâneo violonístico, que foi Francisco Tárrega.

Pujol conta sobre as várias fases pelas quais Tárrega passou, até atingir a pulsação ideal, para a obtenção sonora idealizada por ele.

É bastante curioso todo o clima formado logo após sua morte.

Basicamente, sua técnica, ou melhor, sua última busca, conforme sua necessidade musical, se o ataque dos dedos da mão direita de forma perpendicular às cordas, isto é, formando um ângulo de 90 graus, e sem uso de unhas.

Conforme sua forma de pensar, o toque sobre as cordas, sem unhas, está ligado diretamente à parte sensível do corpo humano, que é a ponta carnosa dos dedos.

Este toque vem trazer certa dificuldade de mobilidade.

O que com a unha dá liberdade de movimentação, percebemos nos dedos a sensação de agilidade. Mas conforme a teoria de Tárrega, o resultado não é de profundidade e interesse musical.

Porém, se analisarmos as características culturais, dificuldades comparativas, referências violonísticas passadas e presentes, vemos que ele estava sozinho. Sobre seus princípios técnicos todos os tabus foram criados.

Seus exercícios técnicos, como escalas, arpejos, formas de ligados, saltos e trêmulos, demonstram apenas uma faceta de sua maneira de pensar, para a obtenção do resultado final a que ele chegou, ou gostaria de chegar.

Mas, até este ponto, se o analisarmos de forma simplista, qualquer estudante alcançaria, em poucos anos, o que ele levou uma vida inteira para objetivar.

Poderíamos perguntar:- “O que Tárrega queria alcançar, diante de tanto esforço físico e tantas fórmulas mecânicas?”

Como poderíamos explicar objetivamente algo subjetivo?

Qual o ponto, dentro de sua mente, a ser atingido através da técnica pura?

No espírito do artista, algo existe num subjetivismo inexplicável. Através de seu trabalho, ele sente que teria que viver dez vidas. Sempre se torna mais distante o objetivo da perfeição.

Seria a técnica pura o caminho que conduz o homem-matéria a esse subjetivismo? Ou essa seria simplesmente um meio artificial?

Qual seria a atitude correta para alcançarmos este ponto, dentro de nosso infinito mental?

Poderemos pensar nas diferenças globais, ao compararmos qualquer ser humano, sobre qualquer característica, seja ela física ou mental.

Desde que seja despertado no aprendizado o conceito do perfeito, todo seu organismo irá se moldando a esta nova característica. Assim poderemos dizer que toda alteração mental irá trazer uma alteração física.

Chamamos a esta alteração física, através da mente. de psicossomatismo, ou melhor, alteração psicossomática.

Agora poderemos supor que Tárrega, por meio de um esforço físico brutal, quisesse exteriorizar um pensamento infinito através da matéria.

Se partirmos do principio que o homem é o que pensa, poderemos chegar a resultados mais rápidos e menos penosos que Tárrega conseguiu chegar.

Algaravia – SESI

Hoje começa a pequena turnê que faremos com o Algaravia (www.algaravia.mus.br) pelo SESI-SP. Por coincidência esse show será na nossa cidade de origem, Campinas/SP. O Bruno Ribeiro (www.twitter.com/brsamba) escreveu essa matéria sobre o show de hoje, leiam:


Bom de ouvir

MÚSICA / Quinteto Algaravia, que se equilibra entre o popular e o erudito, faz apresentação no teatro do Sesi-Campinas

Por Bruno Ribeiro (da agência Anhaguera)

O quinteto Algaravia, formado por alunos e ex-alunos da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), lançou seu primeiro CD no ano passado. O álbum, que leva o nome do grupo, preza pela sofisticação dos arranjos feitos para o repertório camerístico adotado pelos músicos.

O resultado pode ser conferido hoje, no show que o grupo apresenta no teatro do Sesi-Campinas.

Segundo o violonista e arranjador Rafael Thomaz, a proposta do quinteto é subverter a fronteira que separa a música erudita da música popular. Este objetivo é alcançado com sutileza a partir da interpretação de obras de compositores que transitaram nesse limiar, como Heitor Villa-Lobos, Camargo Guarnieri, Astor Piazzolla, Claude Debussy e Erik Satie.

As faixas do disco (que serão executadas no show) foram originalmente compostas para quintetos de música popular instrumental — formados por violão ou guitarra, piano ou acordeon, saxofone, contrabaixo e bateria. As composições selecionadas sintetizam a formação musical de cada integrante ao mesmo tempo em que transmitem ao ouvinte (e ao público) a sensação de unidade.

Além de Rafael Thomaz (violão e guitarra), o Algaravia conta com Eloá Gonçalves (piano e acordeon), Bruno Cabral (saxofone), Ricardo Lira (contrabaixo) e Fábio Augustinis (bateria e percus- são). Todos, de certa forma, respondem pela concepção do repertório e sua transposição para o palco. O destaque fica por conta da interpretação personalíssima de Gymnopédie no 1, de Erik Satie.

Uma das grandes qualidades do quinteto é o equilíbrio entre virtuosismo e leveza. É marcante a influência exercida pelo jazz nos músicos, mas ela aparece de forma educada e pontual, nunca excedendo sua participação. O cuidado com a preservação e valorização da melodia é notável no trabalho realizado pelo Algaravia.

Algaravia, por sinal, é um termo um tanto irônico usado para definir um grupo como este. De algaravia (algo complexo ou incompreensível), o quinteto campineiro não tem nada. Seu som é requintado, mas facilmente aceito por todos os ouvidos. Para quem gosta de boa música instrumental, a apresentação é obrigatória.

Eu Mídia

Já há um bom tempo que não escrevo aqui, é verdade. Deixando de lado as desculpas mentirosas coloco aqui um texto de Leonardo Brant que acabei de ler no Cultura e Mercado.

O pensador canadense Marshall McLuhan nasceu há exatos 100 anos e, mesmo tendo nos deixado em 1980, tem uma obra atualíssima, das mais relevantes para compreender os fenômenos que desencadearam nas mudanças de comportamento da era tecnológica.

McLuhan pensava “os meios de comunicação como extensão do homem”, dizia que “qualquer pessoa pode hoje tornar-se autor e editor”, classificava a notícia, mais do que arte, como artefato. Avisara que “a nova interdependência eletrônica recria o mundo à imagem de uma aldeia global”, uma profecia que ganha outra dimensão com as tecnologias de informação e comunicação, e sua realidade virtual, cada vez mais presente em nossa cultura-mundo (Gilles Lipovetsky e Jean Serroy).

Assim como não é possível entender Marx sem os marxistas, dedico-me aos autores declaradamente McLuhanianos, como Henry Jenkins. “Em nome do ‘progresso’, a cultura dominante se esforça para obrigar os novos meios a realizarem tarefas do passado”, uma frase-síntese do pensador canadense para explicar a força propositiva de Cultura da Convergência.

“O Homo sapiens tornou-se Homo ecranis“, afirmam Lipovetsky e Serroy. “Daí em diante ele nasce, vive, trabalha, ama, se diverte, viaja, envelhece e morre acompanhado, em todos os lugares por onde passa, por telas…”.

A era cem por cento tela não revela apenas uma quantidade ilimitada de imagens e de informações contínuas em uma multidão de novos suportes; ela vem acompanhada por uma comunicação interativa e produzida pelos próprios indivíduos. O ato I da telas era o das mass media, da comunicação unilateral e centralizada; o ato II é o da self media, das trocas interpessoais e comunitárias, descentralizadas e baseadas na utilização da Rede. Daí em diante, o modelo vertical da cultura midiática é simultaneamente um modelo horizontal, de uma cultura do todos para todos.

O “Eu Mídia” é a síntese da manifestação narcísica da cultura do consumo e do espetáculo exarcebada pelo realismo fanstástico do second life. “Deixe para trás aquele que você era”, diz um comercial televisivo. No second life do Facebook, do Twitter e do YouTube você pode ser apenas “quem você deseja ser”.

As pesquisas sobre fluxo informacional das redes denunciam a enorme predominância dos “me-informers” sobre os “informers”. De que vale ser mídia se o único assunto é apenas você mesmo? Chamo isso de síndrome de Ashton Kutcher (@aplusk), o ator hollywoodiano que transformou sua vida num roteiro de reality show via twitter, com mais de 7 milhões de seguidores.

Mas há a outra moeda do “Eu Mídia”. Aquele papel exercido nos tempos remotos da mídia impressa liberal, com jornalistas independentes, que ousavam contar suas histórias e cativar leitores com sua credibilidade. Se a cultura da convergência permite o surgimento e a sustentabilidade desse outro tipo de “Eu Mídia”, então seria a revolução dos meios e a transformação dos fins.

Críticas – Algaravia

Oi pessoal,

meu blog anda meio abandonado, mas não é por falta de vontade, é falta de tempo mesmo.

Volto a escrever aqui para publicar duas críticas feitas sobre o disco do Algaravia (www.myspace.com/algaravia)

A primeira foi feita por André Egg no blog Amálgama: http://www.amalgama.blog.br/04/2011/uma-grande-estreia-discografica-algaravia/

A segunda saiu hoje no Correio Popular e segue transcrita abaixo:

Grupo Algaravia aposta na música instrumental

DISCO / Primeiro trabalho do quinteto surgido na Unicamp prima pela sofisticação com acessibilidade

Por Bruno Ribeiro (da agência Anhaguera)

Segundo o dicionário Houaiss, algaravia é uma palavra geralmente usada para definir uma linguagem muito confusa, incompreensível. Literalmente, “coisa difícil de entender”. Algaravia é também o nome de um grupo musical formado por alunos e ex-alunos da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), em 2006.

O nome Algaravia— que batiza ainda o primeiro CD do quinteto campineiro — soa irônico quando ouvimos as músicas que ele nos reserva. Não há nada de confuso ou incompreensível no som feito pelos jovens instrumentistas. Pode-se dizer que o seu trabalho é sofisticado, mas nunca inacessível. Para quem tem ouvidos de ouvir, trata-se de um álbum e tanto.

Algaravia propõe o rompimento das fronteiras que separam a música erudita e a música popular. E o faz de forma sutil, através de arranjos inéditos que costuram o repertório camerístico com a linha do jazz. Quase todas as faixas foram feitas originalmente para quintetos de música popular instrumental — basicamente formados por violão (ou guitarra), piano (ou acordeon), saxofone, contrabaixo e bateria.

O grupo não apenas demonstra intimidade na execução dos instrumentos, mas também na interpretação de um repertório complexo e ainda pouco explorado no Brasil. Mesmo a obra Lenda do Caboclo, de Heitor Villa-Lobos, teoricamente mais próxima do público, não está entre as mais conhecidas. Coube à onírica Gymnopédie nº 1, de Erik Satie, ser a faixa mais popular.

Segundo o violonista e arranjador Rafael Thomaz, o repertório de Algaravia foi construído coletivamente, sem a pretensão de agradar a terceiros e na intenção de sintetizar a formação de cada um dos integrantes. “Enquanto uns gostam de música erudita, outros se envolvem mais com a popular. Os arranjos deram unidade ao encontro”, explica.

Além de Rafael Thomaz (violão e guitarra), o quinteto conta com Eloá Gonçalves (piano e acordeon), Bruno Cabral (saxofone), Ricardo Lira (contrabaixo) e Fábio Augustinis (bateria e percussão). Todos deram pitaco na seleção das músicas. O resultado, que tinha tudo para ser uma verdadeira colcha de retalhos sonora, ficou acima da média — mesmo para um País com tantos bons grupos instrumentais.

No fim das contas, Algaravia presta uma homenagem aos compositores clássicos do século 20. E que se entenda por “clássicos” aqueles que, por sua importância, permaneceram vivos. Há desde os “clássicos eruditos” — como Claude Debussy (Serenade for the Doll) e Camargo Guarnieri (Dansa Negra) —, até os “clássicos populares” — como o argentino Astor Piazzolla (Calambre).

Em um disco de rara beleza, difícil é escolher seu melhor momento. O Ciclo Nordestino nº1, de Marlos Nobre, surpreende pelo conjunto da obra, pela densidade do arranjo assinado por Rafael Thomaz e pela participação do violeiro Ivan Vilela — que improvisa no meio da peça, incorporando o colorido do jazz brasileiro ao ambiente de câmara.

Na tentativa de possibilitar que o público médio tivesse contato com obras normalmente restritas às salas de concerto, o quinteto Algaravia conseguiu ir além e trouxe a riqueza da música popular para dentro dos redutos eruditos. O que salta aos ouvidos, logo na primeira audição, é o equilíbrio entre o virtuosismo dos músicos e a leveza da obra. Antes de ser compreendido, Algaravia é um disco para ser sentido.

Concerto n.º 4 – Radamés Gnattali

Em 2009, tive o prazer de tocar junto à Oficina de Cordas de Campinas (www.myspace.com/oficinadecordas), grupo dirigido pelo baixista francês Tibô Delor, o concerto n.º 4 para violão e cordas do compositor Radamés Gnattali. Coloco abaixo algumas fotos do concerto, realizado no Centro de Convivência de Campinas, tiradas por Carô Tenório e as gravações do primeiro e do terceiro movimentos. Já adianto, as peças são maravilhosas, uma fusão superinteressante de música brasileira, música erudita e jazz, com uma bela escrita para violão e para as cordas.

Concerto n.º 4 – 1º mov. – Radamés Gnattali

Concerto n.º 4 – 3º mov. – Radamés Gnattali


Algaravia

Em 2006 surgiu o grupo Algaravia com o intuito inicial de concretizar o encontro entre a música erudita e a popular, que eu e o pessoal do grupo víamos como inevitável e necessário. Sem a intenção de simplesmente adicionar ritmos e acordes a obras consagradas, começamos um trabalho que se tornou nosso primeiro disco em 2010, através do patrocínio do FICC. Algumas obras do primeiro CD, que conta com participações especialíssimas de Maria José Carrasqueira, Nailor Proveta e Ivan Vilela,  podem ser conferidas abaixo:

1ere Gymnopedie (Erik Satie) - Arranjo: Eloá Gonçalves

Golliwoog’s Cakewalk (Claude Debussy) - Arranjo: Ricardo Lira

In the Mists (Leos Janacek) - Arranjo: Rafael Thomaz

Calambre (Astor Piazzolla) Arranjo: Rafael Thomaz

Algaravia: www.myspace.com/algaravia

Bruno Cabral (saxofone)

Eloá Gonçalves (piano e acordeon)

Rafael Thomaz (violão e guitarra)

Ricardo Lira (contrabaixo)

Fabio Augustinis (bateria e percussão)