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Hoje começo uma série de postagens aqui chamada “O Violão e os Ritmos Brasileiros”, na qual pretendo disponibilizar informações sobre os variados ritmos brasileiros. Disponibilizarei arquivos em formato pdf que ficaram disponíveis aqui e listados na seção Alunos. O post pretende ser apenas uma introdução, onde colocarei vídeos, links e um breve histórico do ritmo.

Clique aqui e baixe o arquivo pdf com explicações sobre o baião e como toca-lo no violão.

O ritmo tem sua origem, como muitos outros ritmos brasileiros, em reuniões e festas populares que eram acalentadas com a dança, a música e, no caso da cultura nordestina, dos desafios de repentistas. Atribui-se o início do gênero aos “interlúdios” instrumentais realizados pela viola caipira entre os versos dos repentistas.
O baião possui uma instrumentação peculiar: Acordeom/Sanfona – que tem função harmônica e melódica; zabumba e triângulo – que são responsáveis pela definição rítmica (veremos as funções desses instrumentos mais a frente). Também são comuns a viola caipira, flauta, pífanos e alguns outros instrumentos de percussão. (trecho do texto do arquivo em pdf)

Vídeos:

Links:

http://www.luizluagonzaga.com.br/

http://www.mpbnet.com.br/musicos/luiz.gonzaga/index.html

http://www.reidobaiao.com.br/

Cândido Portinari

Violonista

Violonista

Recentemente descobri o site do Projeto Portinari (www.portinari.org.br) e junto com ele uma série de obras do artista do interior de São Paulo que retratam, sem qualquer intenção de verossimilhança, músicos e estilos musicais do Brasil da primeira metade do século XX. Num período em que a música nacionalista se desenvolvia com grande fertilidade as artes plásticas também se voltavam para a cultura popular, não apenas retratanto seu valor, mas relendo-a através das lentes da arte moderna.

Achei que seria interessante colocar algumas pinturas aqui. Seguem abaixo algumas, clicando é possível visualiazar em maior resolução:

Músicos

Músicos

Baile na Roça

Baile na Roça

Banda de Música

Banda de Música

Samba

Samba

Chorinho

Chorinho

Frevo

Frevo

Clarinetista

Clarinetista

Tocador de trombone

Tocador de trombone

Primma!

Ontem acabou o 1º Primma (Primavera Musical da Mantiqueira) que contou com shows de Ivan Vilela, Marcelo Onofri e Elder Costa, além de diversas oficinas.
O evento, realizado na belíssima região da Mantiqueira, contou com a colaboração massiça do povo da cidade e das pousadas e restaurantes.
A cidade possui uma musicalidade nata e histórica – desde 1909 existem uma banda do município que é regida e formado por pessoas da cidade, onde se ensina e se aprende música. Apesar de toda essa musicalidade a região é um pouco distante dos grandes centros culturais e o ensino formal de música é de difícil acesso. O Primma surge com o intuito de movimentar a região, levar grandes artistas ao palco da cidade, chamar a atenção de pessoas que, como eu, não conheciam a região (que além da beleza das serras possui um povo cativante) e além de tudo gerar boa música.
Os shows foram sensacionais:
na quinta-feira Marcelo Onofri – Boas composições interpretadas por grandes músicos. O trabalho é traçado entre a música popular e a erudita, com nuances barrocas, contemporâneas, jazzísticas e brasileira. O grupo que acompanhou: Marcelo (Piano e voz), Anderson Alves (clarineta), Rodrigo Carinhana (voz), Gilberto de Syllos (contrabaixo) e Leandro Barsalini (bateira e percussão).
na sexta-feira Elder Costa – infelizmente não pude assistir, mas todos sairam muito impressionados com suas canções e harmonias, pelo sinal muito bem tocadas ao violão.
no sábado Ivan Vilela – O violeiro dispensa apresentações. Um grande músico e uma pessoa inacreditável. Tocou composições próprias muito interessantes e arranjos para canções populares, folclóricas, de Chico Buarque e até dos Beatles. Além disso tudo contou causos engraçadíssimos.
Todas as noites rolaram canjas por onde passaram professores e alunos do Primma e músicos da região.

A beleza da região dispensa comentários…

Amanhã começa o Primma – Primavera Musical da Mantiqueira. O festival que vai movimentar a cidade de Gonçalves no sul de Minas conta com a direção e organização de Marcelo Onofri e Rodrigo Carinhana. Segue abaixo a programação:

Quinta – 16/10 Sexta – 17/10
17hAbertura
Local: EEJRS 21hShow:
Marcelo Onofri e grupo
Local: ACDG

23h – Encontro Musical
Local: Porto do Céu Restobar

Das 9 às 12h – Oficinas
Local: EEJRS
Das 14 às 17h – Oficinas
Local: EEJRS21h - Show:
Elder Costa e Grupo
Local: ACDG

23h – Encontro Musical
Local: Porto do Céu Restobar

Sábado – 18/10 Domingo – 19/10
Das 9 às 12h – Oficinas
Local: EEJRS
Das 14 às 17h – Oficinas
Local: EEJRS21h - Show:
Ivan Vilela e convidados
Local: ACDG

23h – Encontro Musical
Local: Porto do Céu Restobar

10h- Entrega de Certificados e Encerramento
Local: EEJRS


Durante o Festival haverá o lançamento dos livros “Técnicas para Baixo Elétrico na Música Brasileira”

de Gilberto de Syllos e Método de Saxofone – Manu Falleiros.

Na semana que vem postarei fotos e comentários.

Autopsicografia

O poeta é um fingidor.
Finge tão completamente
Que chega a fingir que é dor
A dor que deveras sente.

E os que lêem o que escreve,
Na dor lida sentem bem,
Não as duas que ele teve,
Mas só a que eles não têm.

E assim nas calhas da roda
Gira, a entreter a razão,
Esse comboio de corda
Que se chama o coração.

Fernando Pessoa

Trecho do texto do grande Gramani, do livro Rítmica Viva.

“Arte significa, nos dias de hoje, principalmente em música, “faça o que alguém já fez, tão bem ou melhor”. Os músicos estão se transformando a cada dia em meros repetidores de idéias alheias. Alheias à sua cultura, à sua sensibilidade, à sua vida e muitas vezes também à sua própria vontade. Os cantores, compositores, intérpretes, instrumentistas e regentes estão, no ato de composição e interpretação, à mercê de conceitos estilísticos inflexíveis e antiartísticos, como se o ato de compor e interpretar refletisse uma ação condicionada e não um expressão artística per si.
O que também se pode observar é uma tendência que se generalizou no meio musical de supervalorizar a técnica utilizada, desconsiderando a sensibilidade individual de cada músico. Esse comportamento torna-se, portanto, o contrário do que deveria ser o ensino de música, pois tolhe a musicalidade do artista em vez de incitá-lo a buscar sua expressão musical.
Que resultado esperar? Tristes tentativas de transformar regras e códigos em sensações musicais. Se uma idéia musical não é “sua” e não se originou de “você”, como sentir a mesma sensação que um compositor teve ao escrevê-la? Uma solução para esse problema seria a “recriação” da obra por meio da inserção do “eu-intérprete” em seu interior. É o que acontece na música popular, e o que é difícil de acontecer na música erudita, tamanha a rigidez da forma de composição e interpretação. Desde o início de seu trabalho com música, o aprendiz é condicionado por intermédio de métodos de ensino que travam sua sensibilidade e enfatizam somente sua habilidade de execução. O ensino de música tem pressa e por isso é superficial. A técnica é indispensável, não se trata aqui de desmerecê-la. No entanto, não pode ser encarada como um fim. Ela é um veículo importantíssimo para transmitir uma mensagem com clareza. Transformá-la na mensagem: está aí um erro imperdoável com o qual se convive durante a vida como músico. [...]“

(Gramani, José Eduardo – Rítmica Viva, A consciência musical do ritmo – Editora da Unicamp 1996 – Campinas/SP)

Muito bom esse texto…  o livro então! Valeu pelo empréstimo, Alexandre.

Erudito x Popular

Segue a abaixo um texto que escrevi na última semana. Esse texto é um resumo da minha visão musical atual. Não quero com ele cataquizar ninguém. Críticas e cometários são bem vindos.

ERUDITO X POPULAR

O Nascimento de um novo músico? E uma nova música?

A classificação de determinada música como erudita ou popular depende de algumas características fixadas por padrões nada fixos. Parâmetros como o conteúdo histórico, a complexidade ou a ideologia por trás de uma obra são exemplos de tentativas de criar essa divisão entre popular e erudito, que ainda assim é tênue, confusa e, por vezes, até controversa.
Para exemplificar podemos fazer algumas observações simples no que tange à complexidade: Uma letra de Chico Buarque como, por exemplo, em Joana Francesa onde o autor mistura palavras em português e francês gerando um jogo de fonemas cacofônicos que dão margem a diversas interpretações. Um lied de Schubert possui complexidade harmônica e melódica semelhante a canções de Tom Jobim. O choro, gênero tipicamente brasileiro, possui contrapontos que remetem a música barroca. A complexidade rítmica presente na música de Arrigo Barnabé ou mesmo as harmonias do compositor carioca Guinga equiparam-se por vezes as de nomes como Debussy e Stravinsky. Essas observações não têm a intenção de comparar a qualidade muito menos o valor das obras e compositores citados, mas por outro lado mostrar quão confusa pode ser essa classificação, se tomarmos como referência o nível de complexidade geral ou de elementos de uma obra para análise. Classificar compositores como Astor Piazzolla, George Gershwin, Radamés Gnattalli ou mesmo Egberto Gismonti torna-se uma tarefa quase impossível.
Por mais difícil que seja essa tarefa – a de classificar músicas entre populares e eruditas – o fato é que essa divisão existe na prática e não pode ser ignorada. Tentarei elucidar temas como a construção da composição, o material primário utilizado, o legado histórico e o comportamento dos músicos ante a música. Muito provavelmente esses temas virão intrinsecamente ligados e será desnecessário desassocia-los.
A história da música está ligada inevitavelmente à história da humanidade pelo simples fato de a música ser uma atividade exclusivamente humana. (Entende-se música pela ordenação consciente dos sons, quer seja ela inteligível, agradável, confusa, intensa, suave, ou qualquer outro adjetivo que a ela se encaixe. Consciente, pois se não fosse assim qualquer ruído poderia ser entendido como tal, o que não exclui o uso do ruído na música, desde que esse uso seja consciente e intencional.) Estando a música sempre ligada a história das civilizações, os registros musicais mais antigos são justamente produto da evolução humana através da criação da escrita. Os primeiros registros são desenhos; em seqüência textos ou fragmentos que tentam descreve-la; por fim o surgimento da escrita musical somente no fim da idade média permite que se tenha alguma idéia real de como era essa música. Mas já nesses registros musicais primitivos começam a aparecer divisões entre o que é popular e o que é culto, pois os detentores da linguagem escrita são até então membros de entidades poderosas em seu tempo: a igreja ou o estado. Portanto pode-se falar de uma história antiga na música erudita, mas pouco se sabe sobre como era a música do povo. O fato de existirem culturas dominantes e dominadas gera a necessidade de negação entre elas que se reflete musicalmente na busca de marcantes diferenciações na busca por originalidade e autenticidade. Essa hipótese leva diretamente a outra: o uso consciente ou não de materiais primários antagônicos afirmaria ainda mais essas diferenças. Mas então o que dizer dos compositores nacionalistas no século XX? Neste ponto encontra-se uma resposta bastante esclarecedora. Os nacionalistas aproximam os campos, mas apenas por um lado – o uso do mesmo material, isto é, tanto “eruditos” como “populares” neste período fazem uso do mesmo conjunto folclórico de melodias, ritmos e outros materiais, mas com tratamentos extremamente diferentes, além de já haver dos dois lados práticas fundamentadas de formas distintas onde a postura do músico ao interpretar qualquer obra depende de sua formação muito mais do que do material primário em que esta se baseia.
O momento da execução musical reserva características distintas quanto a práxis de cada âmbito, sendo estabelecidas primeiramente pelo local de apresentação, as condições e possibilidades técnicas e também pelo comportamento do público. Além disso, as posturas são bem pronunciadas, pois na música erudita é necessário que o músico realize o trabalho de interpretação da partitura profundamente antes de se apresentar, deixando para o momento final apenas a adrenalina do momento, visto que essa obra já foi executava diversas vezes antes de formas bastante próximas visando encontrar a interpretação ideal. Já na música popular o comportamento é bastante diferente porque, especialmente no jazz, é de praxe não combinar os improvisos, já que são improvisos! Têm-se apenas as informações básicas para o que vai acontecer, nesse caso o tema. Em outros casos é necessário que o músico interaja muito com os outros executantes, pois mesmo sem haver seções completas de improviso a escrita por meio de cifras permite diversas interpretações. O cuidado com detalhes técnicos e interpretativos também é um diferencial a ser notado, especialmente no que se refere à precisão, controle dinâmico, variações de timbre e qualidade sonora extraída do instrumento.
Uma das tendências da música popular contemporânea é, já há algum tempo, a de “digerir” elementos da música erudita, sejam eles composicionais ou interpretativos. A música popular tem encontrado em estruturas que já foram amplamente usadas na música erudita a possibilidade de alçar novos vôos e trazer fôlego novo ao ambiente popular. Além disso, muitos intérpretes com formação erudita têm se aplicado a tocar música popular, o que trouxe um significativo aumento técnico para os interpretes. Aqui cabe uma ressalva. Não é o simples fato de estudar um instrumento com repertório e técnicas eruditos que traz ao interprete a qualidade necessária para executar música popular. Esta, por outro lado, exige do músico conhecimentos específicos de linguagem, quer seja no choro, samba, jazz ou qualquer outro gênero. Mas, o domínio técnico do instrumento e de suas possibilidades trouxe um maior refinamento ao ambiente popular. No violão existem muitos exemplos, começando por nomes que fizeram a transição para um violão que pode ser chamado de moderno como Laurindo de Almeida, Garoto e Baden Powell, tanto quanto os “modernos”: Raphael Rabello, Paulo Bellinatti, Marco Pereira, Guinga e Ulisses Rocha. Todos conhecedores profundos das possibilidades do instrumento e alguns até com carreiras no âmbito erudito também. Todos esses músicos atuam ou atuaram em gêneros populares diferentes e, ao mesmo tempo, é muito difícil classificar como exclusivamente populares estes chamados “modernos”, e por outro lado não se enquadram como músicos eruditos.
É então, que acredito que começa a surgir uma nova música calcada nas duas tradições e que é diferente de ambas sem deixar de pertencer a elas. É claro e muito compreensível que os músicos dessa tendência – se é que assim ela realmente pode ser chamada – não sejam impecáveis tanto na música popular quanto na erudita e possuam carreiras grandiosas em qualquer dos lados. Só o tempo poderá confirmar, mas é, para mim, cada vez mais claro que mudanças estão ocorrendo, sem que o passado seja apagado; cada vez é menor a tendência a movimentos e quebras drásticas; cada vez mais a visita ao passado musical mostra portas ainda entreabertas e caminhos pouco caminhados. Talvez haja mais evolução do que revolução para acontecer.

Vou participar do 1º Primma, Primavera Musical da Mantiqueira, que acontecerá em Goncalves-MG. O festival contará com a presença de grandes músicos como Ivan Vilela, Marcelo Onofri e Gilberto de Syllos e para mim será uma honra e um grande prazer ministrar as oficinas de violão. Logo colocarei aqui os programas das oficinas.

O PRIMMA acontecerá de 16 a 19 de outubro.

site: www.primmafestival.com.br

Depois de muito tempo sem postar estou postando novamente.

Seguem os vídeos do Grupo Populito (por falta de nome melhor! hehe), executando “A Lenda do Caboclo” de Villa Lobos, “Nazarethiana” de Marlos Nobre e “Prelúdio n.º 1″ de Cláudio Santoro.

Populito: Ricardo Lira (contrabaixo), Eloá Gonçalvez (Piano), Bruno Cabral (saxofone), Fabio Augustinis (Bateria) e Rafael Thomaz (Violão).

A Lenda do Caboclo

Prelúdio N.º 1

Nazarethiana

Um abraço,

Postarei mais em breve.

 

IASP Big Band

Olá,

Hoje estou postando as gravações da Big Band da escola em que trabalho como professor de violão e guitarra. O trabalho da Big Band é desenvolvido com alunos de diversos instrumentos da Escola de Artes do IASP (www.iasp.br). A big band conta com os arranjos e regência do professor Cristiano Frank, que é auxiliado por outros professores da Escola de Artes: Pablo Pezoa (bateria e percussão), Rafael Thomaz (violão e guitarra), Douglas Vieira (trombone) e Israel Calixto (trompete). 

(clique aqui para baixar)

As músicas, gravadas em Dezembro de 2007 no Estúdio Vitrola Digital em Campinas, são:

The Chicken

Solos: Rafael Thomaz (guitarra) e Bruno Cabral (saxofone)

Cartoon Simphony

Eye of the Tiger 

 Solos: Paulo Victor (saxofone) e Wismar Zanella (trombone)

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